‘Cartas de Desamor’ is Luísa Sobral’s eighth album and marks her move towards traditional Portuguese music. Breaking new ground, this record comes as a creative and emotional rebirth after a more introspective period. Never losing her focus on lyrics and songwriting, she blends her own identity with the rhythms and percussion of Portuguese culture. The album was produced by Ricardo Dias (who has worked with major names such as Fausto and Vitorino) and features special guests Vitorino, Sopa de Pedra and A Garota Não. ‘Cartas de Desamor’ is a celebration of reinvention that brings together the past and present of Portuguese music.
Cartas de Desamor

Se o que digo e canto
Soa a grito
Talvez mereça ser dito
Nesse jeito de dizer
E se digo aquilo que foi dito
Não é pra soar bonito
É porque tinha de ser
Quem cala consente
E não sente
Que calar não é de gente
Que ainda vê o mundo em flor
Quem cala consente que é da gente
Calar só porque se sente
Medo de falar de amor
Se o que digo e canto
Soa a grito
Talvez mereça ser dito
Nesse jeito de dizer
E se digo aquilo que foi dito
Não é pra soar bonito
É porque tinha de ser
Quem cala consente
E não sente
Que calar não é de gente
Que ainda vê o mundo em flor
Quem cala consente que é da gente
Calar só porque se sente
Medo de falar de amor
Fazemos parte desses que não partem
Dos que vieram pra ficar
Fazemos parte dos que abraçam e que gritam
Dos beijam e não hesitam em lutar
Fazemos parte desses que não quebram
Dos que não cegam no caminho
Fazemos parte porque só fazendo parte
É que se faz
O que não se faz sozinho
Se o que digo e canto
Soa a grito
Talvez mereça ser dito
Nesse jeito de dizer
E se digo aquilo que foi dito
Não é pra soar bonito
É porque tinha de ser
Quem cala consente
E não sente
Que calar não é de gente
Que ainda vê o mundo em flor
Quem cala consente que é da gente
Calar só porque se sente
Medo de falar de amor
Há quem queira falar
Sabendo que vou escutar
Leva um pedaço de mim
Há quem queira amizade
Sem reciprocidade
Leva um pedaço de mim
E os que prometem amar
Os que juram ficar
Do início ao fim
Partem na madrugada
E sem dizer nada
Levam um pedaço de mim
Há quem queira um lugar
Um colo onde ficar
Leva um pedaço de mim
Há quem procure um abrigo
Disfarçado de amigo
Leva um pedaço de mim
E os que prometem amar
Os que juram ficar do início fim
Feitos daquilo que sou
Daquilo que dou
Levam um pedaço de mim
Quando me levantar
Será que vão sobrar
Pedaços de mim
E se o que ficar
Não tiver pernas para andar
Viverei mesmo assim
Se de mim só restar
Um coração a pulsar
O início do fim
Se ainda bater
Dele vão renascer
Outros pedaços de mim
Meu amor
Este é o nosso fim
Momento do adeus
E há tanto que ainda fica em falta
Eu sei
Que dei tudo o que dei
Que mais não soube dar
E mesmo assim
Ficou tanto em falta em mim
Mas eu já não me conhecia
Menos eu a cada dia
E quando vi já era tarde
Olhei para o lado e tu não estavas
Quando foi que te perdi
Como cheguei sozinha aqui
Meu amor
Este é o nosso fim
momento de partir
Mas sei que vais estar sempre presente
Em mim
Em tudo o que plantámos
Que depois vimos crescer
Em tudo que sonhámos um dia ser
Mas eu já não me conhecia
Menos eu a cada dia
E quando vi já era tarde
Olhei para o lado e tu não estavas
Quando foi que te perdi
Como cheguei sozinha aqui
Meu amor
Este é o nosso fim
Momento do adeus
E há tanto que ainda fica em falta
Oh menina linda
Pelos olhos teus
Já passou o inverno
E nem frio se deu
Oh menina linda
Nem menina és
Querem fazer-te mulher
Da cabeça aos pés
E esses teus cabelos longos
Negros como o pensamento
Lembram a vida em liberdade
Fazem caracóis ao vento
E esses teus cabelos longos
Foram feitos pra voar
Oh menina linda
Não te deixes apanhar
Oh menina linda
Os lábios que tu tens
Não contam histórias
Têm-nas reféns
Oh menina linda
De morena cor
A tua pele foi feita
Para o sol se pôr
E esses teus cabelos longos
Negros como o pensamento
Lembram a vida em liberdade
Fazem caracóis ao vento
E esses teus cabelos longos
Foram feitos pra voar
Oh menina linda
Não te deixes apanhar
E esses teus cabelos longos
Negros como o pensamento
Lembram a vida em liberdade
Fazem caracóis ao vento
E esses teus cabelos longos
Foram feitos pra voar
Oh menina linda
Não te deixes apanhar
Cantou-me um rouxinol
Que aqueles dois já foram um
Que o amor que os juntou
Já não junta mais nenhum
Houve um grande casamento
Um aumento da paixão
Um beijo para selar o acordo
Como manda a tradição
Cantou-me o rouxinol
Que ali era sempre dia
Era sopas e descanso
Casa, companhia
Era bom e era fácil
Era paz e gratidão
Era alento, aliança,
Alegria, devoção
Contou-me um rouxinol
Que depois ela quis mais
O seu âmago dizia
Que estavam prontos pra ser pais
Ele navegava só
Nesse mar de indecisão
Mas fê-lo por amor
Não quis partir-lhe o coração
O destino assim o quis
E Joana veio então
Ela fez-se mãe cansada
E ele pai sem vocação
Só se veem amiúde
Quando o destino assim o quer
Ela quis ficar sozinha
Ele tem outra mulher
E Joana vai crescendo
Deslumbrante, um raio de sol
Acredita no amor
E eu no rouxinol
O que é isso de ser mulher
É ser-se o que se quiser
Carregar no peito um peito
E lá dentro um coração
O que isso de ser mulher
É saber poder escolher
É muito mais a vida
Que vencer ou ser vencida
Ser mulher é tudo o que não cabe
Nem no pensamento
É ser mãe, ser filha, amiga,
Ter sonhos sem ter tempo
Ser mulher é querer ser mais
É poder ditar um fim
É poder gerar um filho
Ou dizer “não é para mim”
O que é isso de ser mulher
Fica tanto por dizer
Que a mulher não cabe em versos
Nem sem encolhe em canção
É que isso de ser mulher
Não é fácil de entender
Pois cá dentro há um mundo
E leva tempo a conhecer
Ser mulher é tudo o que não cabe
Nem no pensamento
É ser mãe, ser filha, amiga,
Ter sonhos sem ter tempo
Ser mulher é querer ser mais
É poder ditar um fim
É poder gerar um filho
Ou dizer “não é para mim”
O que é isso de ser mulher
É ser-se o que se quiser
Carregar no peito um peito
E lá dentro um coração
E o que falta para a mulher
Ser tudo o que quiser
Falta algo mais profundo
Lembrar que ninguém veio ao mundo
Venha de onde vier
Sem a força de uma mulher
Logo bem cedo saímos de casa
E mais uma criança morre em Gaza
No trânsito lento, na hora que atrasa
Mais uma criança morre em Gaza
E o dia segue igual
Para quem deste lado está
Que a fome não se sente
Se for a fome de outra gente
E a vida segue igual
Sem tempo para a desgraça
Enquanto mais uma criança morre em Gaza
Sem se dar por nada
A tarde vem e passa
E mais uma criança morre em Gaza
Enquanto à noite se descansa
Da rotina que arrasa
Mais uma criança morre em Gaza
E o dia segue igual
Para quem deste lado está
Que a fome não se sente
Se for a fome de outra gente
E a vida segue igual
Sem tempo para a desgraça
Enquanto mais uma criança morre em Gaza
E o dia segue igual
Para quem deste lado está
Que a fome não se sente
Se for a fome de outra gente
E a vida segue igual
Sem tempo para a desgraça
Enquanto mais uma criança morre em Gaza
Enquanto mais uma criança
Olho para trás
Vejo a vida de onde estou
Ainda ontem começou
E tão sem pressa de acabar
Olho para trás
Vejo o amor que eu juntei
O que me deram e o que dei
E faço contas de somar
Ficaram alguns trilhos por fazer
Algumas coisas por dizer
Mas nada mais importa agora
Escolho lembrar só aquilo que fiz
Quem amei e quem me quis
Que nada mais importa agora
Fui feliz
É o que levo na memória
É essa a minha história
E quando te lembrares de mim
Lembra-te de mim assim
Fui feliz até ao fim
Olho para mim
Num esforço de medir o tempo
O que segue lá fora,
E o que parou cá por dentro
Olham para mim
Querem saber como estou
Se parto em paz, para onde vou
Têm medo e eu entendo
Ficaram alguns trilhos por fazer
Algumas coisas por dizer
Mas nada mais importa agora
Escolho lembrar só aquilo que fiz
Quem amei e quem me quis
Que nada mais importa agora
Fui feliz
É o que levo na memória
É essa a minha história
E quando te lembrares de mim
Lembra-te de mim assim
Fui feliz até ao fim
Fui feliz
É o que levo na memória
É essa a minha história
E quando te lembrares de mim
Lembra-te de mim assim
Fui feliz até ao fim
Passo e repasso a vida
Da frente para trás
Sinto que me traz
Consolo
Querida amiga isso é só recordação
Nostalgia
O coração lembra só o que era bom
Ele fantasia
E é quando estás mais triste que ela vem
A lembrança do que era ter alguém
Confundes o silêncio com solidão
Dás um nome à dor
Chamas-lhe amor
Mas ouve, querida amiga
Deixa o tempo reparar, vai sarar
O que esse amor deixou
O que ficou quando acabou
Vai passar
E um dia quando vires ele já foi
Tudo aquilo que doía já não dói
Como a chuva que que cai
Também o amor vem e vai
Se lhe deres tempo
Se te deres tempo
Sei que agora não é fácil
Veres-te feliz mais adiante
Mas também o amor encolhe
Quando fica mais distante
Mais distante
E um dia quando vires ele já foi
Tudo aquilo que doía já não dói
Como a chuva que que cai
Também o amor vem e vai
Se lhe deres tempo
Se te deres tempo
Querida amiga isso é só recordação
Nostalgia
Há um homem deitado encostado na rua
Há quem passe por ele
Há um de chuva
Há quem olhe sem querer
Quem passe sem ver
Com o passo apressado
Há quem sinta desprezo
Quem tenha medo
Quem olhe para o lado
Há um homem deitado
Há um vento que corta
Há uma manta rasgada
E uma planta já morta
Há sacos de compras
Baratas tontas por todo o lado
Que é dia de festa para todos
Menos para o homem deitado
Há um homem deitado sozinho na rua
Há uma rua vazia que agora é só sua
Foram embora
Chegou a hora de celebrar
Há uma sopa deixada
E na consoada
O mesmo jantar
Há um homem deitado sozinho na rua
Um corpo só corpo
Nem a alma é sua
A sopa esfriou, o sino tocou
O corpo cedeu
Morre o homem deitado na rua
Mas Jesus nasceu
Onde fui
Quem sou eu
O que resta de mim agora
E o que foi que se perdeu
Se me olho ao espelho
É uma mãe que vejo
É alguém que canta o amor
Mas que esqueceu o seu sabor
Eu não sei quem sou
Será que quero ver o mundo
Como um dia quis
Dançar p’la noite dentro
Fazer tudo o que não fiz
Será que ainda ia a tempo
De uma história de amor
De uma paixão desenfreada
De amar e ser amada
Eu não sei quem sou
Mas se perguntares se sou feliz
Direi que sim
Mas sei que não vais perguntar
E talvez seja melhor assim
Que é quando fico a pensar
Que esta tristeza entra em mim
É quando sei que não sei
Quem sou
Será que ainda sou bonita
Que alguém me vê assim
Vê beleza neste corpo
Que já se esqueceu de mim
Será que quero morar fora
Viver noutro lugar
Falar uma outra língua
Ter saudades e voltar
Eu não sei quem sou
Mas se perguntares se sou feliz
Direi que sim
Direi a mim mesma que não vejo o fim
Mas sei que não vais perguntar
E talvez seja melhor assim
Que é quando fico a pensar
Que esta tristeza entra em mim
É quando sei que não sei
Quem sou
Eu estava longe lá tão longe
Tão nesse lugar
Onde a beleza já não chega
Onde falta o ar, e eu
Não tinha vontade de voltar
E quando olhava à volta
À minha volta era só eu
Só quando a volta deu a volta
Se fez luz no breu, eu
Soube que era tempo de voltar
E fiz de mim canção pra dançar
Olha a felicidade
Bateu à porta
Deixa-a entrar senão
Ela não volta não
Ela não volta a bater
Olha a felicidade
Fora da hora
Deixa-a entrar senão
Vai logo embora, não
Não foi feita para se prender
Eu estava longe lá tão longe
A viver os dias
E nas tristezas na incerteza
Via alegrias
Sem saber se devia voltar
E quando me dei tempo
E o tempo trouxe a solução
De olhar para dentro
E pôr pra fora o meu coração, eu
Soube que era tempo de voltar
E fiz de mim canção
Pra dançar
Sei cantar e sei dançar
Sei tocar a pandeireta
Quem quiser dançar comigo
Traga a música completa
E fiz de mim canção
Pra dançar
Olha a felicidade
Bateu à porta
Deixa-a entrar senão
Ela não volta não
Ela não volta a bater
Olha a felicidade
Fora da hora
Deixa-a entrar senão
Vai logo embora, não
Não foi feita para se prender
Olha a felicidade
Bateu à porta
Deixa-a entrar senão
Ela não volta não
Ela não volta a bater
Olha a felicidade
Fora da hora
Deixa-a entrar senão
Vai logo embora, não
Não foi feita para se prender
E fiz de mim canção
Pra dançar
Datasheet
LUÍSA SOBRAL Music and Lyrics
LUÍSA SOBRAL Vocals
RICARDO DIAS Production
RICARDO DIAS Piano
ANTÓNIO QUINTINO Bass and Double Bass
CARLOS MIGUEL ANTUNES Drums and Percussion
MÁRIO DELGADO Guitars
AMADEU MAGALHÃES Bagpipes, Cavaquinho, Mandolin and Braguesa
MARINA CAMPONÊS Flute
LUÍS CUNHA Trumpet and Flugelhorn
PAULO GASPAR Clarinet
RÚBEN DA LUZ Trombone
NUNO CUNHA French Horn
GIL GONÇALVES Tuba
SOPA DE PEDRA Choir and Percussion (“Grito”) – Benedita Vasquez, Inês Loubet, Inês Melo, Maria Vasquez, Mariana Gil, Rita Campos Costa, Rita Sá, Sara Yasmine
LUÍSA SOBRAL, SARA YASMINE, MARIANA GIL Vocal Arrangement (“Grito”)
SARA YASMINE Percussion Arrangement (“Grito”)
TOMÁS MARQUES Horn Arrangement (“Felicidade”, “Rouxinol”)
ESTELA ALEXANDRE Horn Arrangement (“Menina Linda”, “Gaza”)
NUNO SIMÕES Recording (Estúdio Vale de Lobos)
QUICO SERRANO Sopa de Pedra Recording (Estúdio da Aguda)
GONÇALO RUI Bagpipes, Cavaquinho and Mandolin Recording
MÁRIO BARREIROS Mixing and Mastering












