MÚSICA

LETRAS DAS MÚSICAS

Nádia

Nádia sem nada a perder
Nádia quer tudo esquecer
Quer ser outra mulher
num lugar qualquer
longe do que a viu nascer

 

Nádia sem nada a temer
Nádia com tudo a temer
Atravessa o mar Egeu
escuro como breu
dois filhos, um abraço
frio, medo e cansaço

 

Dias e dias, noites e noites
de uma viagem sem fim
Podem um começo e um final
ser tão iguais assim?

 

Nádia não sabe nadar
Nádia no meio do mar
Tem a cara já molhada
ajuda a disfarçar
as lágrimas que devolve ao mar

 

Dias e dias, noites e noites
de uma viagem sem fim
Podem um começo e um final
ser tão iguais assim?

O melhor presente

Vais receber o melhor presente
que o saibas estimar e querê-lo pra sempre que o saibas cuidar
tudo ensinar
que o saibas amar

 

Vais receber um melhor amigo
que vai partilhar a vida toda contigo os irmãos mais velhos são
os heróis do batalhão
da nova geração

 

E no meu colo sempre haverá espaço pra dois
que o colo de uma mãe aumenta quando chega alguém por mais que ainda não entendas posso prometer
que este é o melhor presente que irás receber

 

Vão discutir não vais ter paciência
vais exigir a tua independência
tudo isso é normal
fica sempre igual
não te vou mentir

 

vão discutir quem tem o comando
o lugar do carro, quem toma banho primeiro
mas uma coisa eu sei
não vai haver ninguém
que te conheça tão bem

 

E no meu colo sempre haverá espaço pra dois
que o colo de uma mãe aumenta quando chega alguém por mais que ainda não entendas posso prometer
que este é o melhor presente que irás receber

O verdadeiro amor

Se eu fosse tua
e tu fosses meu
o mundo inteiro iria ver
o verdadeiro amor acontecer

 

E esse amor seria
para o mundo inspiração
e em cada canto, cada lugar
alguém se iria apaixonar

 

Dentro do meu peito
há um amor prisioneiro
que anseia a liberdade
mas teme a perpetuidade
de amar sem ser inteiro

 

Mas eu sou tão tua
e tu não és meu
e o mundo inteiro não irá ver
o verdadeiro amor acontecer

Dois namorados

Quando nada indicava
que a vida que levava
fosse mudar rápido assim
Pois eu era mais velha
que os velhinhos do jardim

 

Quando os dias não passavam
e só falava na saúde
vi-te na rua
reconheci-te
dos nossos tempos de juventude

 

Não tinhas casado
nem tinhas ninguém
e disseste ser feliz assim
Que a única mulher
de quem gostaste de verdade
mas que já tinha cara-metade
foi de mim

 

E dormimos encaixados
dois namorados
sem tempo a perder
cabelos brancos desalinhados
pés entrelaçados
já sem medo de adormecer

 

E eu que acreditava
que a vida só nos dava
um amor assim uma só vez Dou-te um abraço apertado
e vamos de braço dado
pra todos verem o que a vida fez

 

E dormimos encaixados
dois namorados
sem tempo a perder
cabelos brancos desalinhados
pés entrelaçados
já sem medo de adormecer

Benjamim

Sabes tudo de mim
o meu princípio e fio
onde quero ir
e onde não vou

 

Sabes ver dentro de mim
onde ninguém pode entrar
Onde os que vieram
não querem voltar

E assim vivemos os dois
Sem fazer conta de nada
Somos morada
dos nossos corações
Amando só porque sim
Vivemos assim
Eu pra ti, tu pra mim
meu Benjamim

 

Amas mesmo em dia não
e quando não peço perdão
Quando o vento sopra noutra direção

 

E assim vivemos os dois
Sem fazer conta de nada
Somos morada
dos nossos corações
Amando só porque sim
Vivemos assim
Eu pra ti, tu pra mim
meu Benjamim

Só um beijo

Já te pedi
até insisti
pra não chegares perto
Perto de mim
é melhor assim
que algo incerto
E eu não sou de grandes paixões
quebrar corações
não é para mim
prefiro evitar
no meu canto ficar
é melhor assim
Mas tu
Não me quiseste ouvir
voltaste a insistir
em chegar perto assim
egoísta, ruim
Sei que foi só um beijo
mas não foi só um beijo
pra mim

 

No instante em que te vi
deixei de procurar
não tinha mais sentido
Se aquilo que buscava
e sem saber sonhava
era contigo
E desde logo ignorei o teu pedido
pois o que dizia a tua boca
era pelos olhos desmentido
Investi sem hesitar
nunca quis nada tanto assim
Tudo fiz por um beijo
mas não foi só um beijo
pra mim

Maria do mar

Todos os dias Maria
olhava o mar pela janela
Maria era do mar
mas o mar não era dela

 

E por viver numa ilha
no meio do azul plantada
Maria além do nome
tinha o mar como morada

 

Maria, Maria do mar
se o vento voltar
solta o cabelo
Vai ver os barcos partir
o dia há-de vir
em que um queira ficar
e só no teu nome navegar

 

Sabe prever tempestades
conhece as marés
e os peixes que bem cedo
lhe vêm beijar os pés

 

Maria, Maria do mar
se o vento voltar
solta o cabelo
Vai ver os barcos partir
o dia há-de vir
em que um queira ficar
e só no teu nome navegar

Não sei ser

Assim que nasce a manhã
E me acorda bem devagar
vejo se decidiste voltar

 

E a desilusão
faz de mim derrotista
balanço na corda da vida como um equilibrista

 

Não sei ser
Não sei ser
Não sei ser sem ti (2x)
Já só com um sopro canto
até que ele chegue ao fim

 

E há um vazio no peito
Um não saber ser por direito
E algo que sem se ver faz-me um
Ser imperfeito

 

Não sei ser
Não sei ser
Não sei ser sem ti (2x)
Já só com um sopro canto
até que ele chegue ao fim

Querida Rosa

Querida Rosa és a flor mais bonita
que algum jardim viu nascer
pode haver no teu canteiro
uma rosa parecida
mas nenhuma tem o cheiro
da flor da minha vida

 

Querida Rosa, minha prosa, poesia
és a mais bela sem saber
e se alguém vier certeiro
pra ter colher primeiro
terá antes de me ver morrer

 

Serei o teu fiel jardineiro
mesmo quando a primavera terminar
Se te crescer um espinho cuidarei com carinho
para que ele não te possa magoar

 

Querida Rosa se o mundo acabasse
e só ficasses tu e eu
para mim bastaria saber que acordaria
cada dia com um beijo teu

Mesma rua mesmo lado

Eram os dois da mesma aldeia
mesma rua mesmo lado
mesmo jeito de criança
mesmo ar envergonhado
Havia até quem dizia
que eram uma só pessoa
pois só se separavam
à noite quando chegavam
à rua onde moravam

 

Mas o tempo foi passando
com ele o jeito de criança
e aquela uma só pessoa
já era quase só lembrança
Ele esperava por ela
mas ela tinha outros planos
Tinha encontrado o amor
amor que ele conhecia
há tantos tantos anos

 

Foi da janela do quarto
que a viu sair para o casamento
Chorou como se estivesse
no altar naquele momento
E foi dizendo bem baixinho
que prometia ser fiel
e ali naquele momento
sentiu o toque dela
e no dedo o anel

 

Preferiu viver sozinho
para se ela quisesse voltar
mesmo quando bem velhinho
não se cansou de esperar
Sabia que ela estava longe
mas não deixou de acreditar
que um dia ela viveria
na mesma aldeia, mesma rua, mesmo lado
mesmo lar

Envergonhado

Não fiques triste se eu
pareço desligada
isso não quer dizer
que não esteja apaixonada

 

Enquanto outros escrevem
poemas declarações
eu sinto mas baixinho
sem mostrar as emoções

 

Quero que saibas, meu amor
também eu arrasto a asa
e há uma festa cá dentro
sempre que chegas a casa
Que quando acordo e vejo
que ainda não foste embora
é noite de santos cá dentro
mesmo não se ouvindo aí fora

 

Perdoa então meu bem
o meu modo abrutalhado
porque este amor apesar de grande
é também envergonhado

AGENDA

VÍDEOS

DISCOGRAFIA

Rosa

2018

Luísa

2016

Lu-Pu-i-Pi-Sa-Pa

2014

There’s a Flower in my Bedroom

2013

The Cherry on my Cake

2011

BIOGRAFIA

Luísa Sobral é uma das mais importantes compositoras e cantoras da nova geração de músicos portugueses.

 

Luísa iniciou o seu caminho discográfico em 2011, após um percurso académico musical bem sucedido na famosa Berklee College of Music, em Boston. O primeiro disco, ‘The Cherry On My Cake’, foi um êxito imediato em Portugal, tendo ocupado os lugares cimeiros do top de vendas durante várias semanas e chegado rapidamente a Disco de Platina.

 

Seguiu-se uma extensa digressão nacional e a atenção do mercado internacional. Luísa estreou-se em Espanha em importantes eventos, como o Festival de Jazz de Barcelona e o Festival de Jazz de Cartagena. Teve a honra de abrir os concertos de Ute Lemper em Londres (na Union Chapel), e de Melody Gardot ao longo de uma digressão na Alemanha e no London Jazz Festival (Barbican Centre). Atuou ainda em França, Turquia, Israel, Alemanha, Suíça, Luxemburgo, EUA, Marrocos, África do Sul, Namíbia, Zimbabué, Botswana, Brasil, entre outros. A crítica e público renderam-se ao talento de Luísa Sobral. Destacam-se ainda duas nomeações para os Globos de Ouro (Revelação e Melhor Interprete Individual) e a atuação no mítico programa da BBC ‘Later…with Jools Holland’.

Ler mais

Com o segundo disco, Luísa procurou um novo caminho. Tornou a sua sonoridade mais madura e complexa com algumas aproximações ao universo folk e indie. Em ‘There’s Flower in My Room’ (2013) contou com colaborações de luxo como Jamie Cullum, António Zambujo e Mário Laginha. O público aclamou o seu trabalho confiando-lhe o galardão de Disco de Ouro. A nível internacional, continuou a sua afirmação, através de uma bem sucedida digressão pela Europa central e uma participação no festival SXSW, em Austin no Texas.

 

Como prenúncio da maternidade que viria pouco depois, a artista portuguesa resolveu embarcar na aventura de um disco infantil. ‘Lu-Pu-i-Pi-Sa-Pa’ chegou aos escaparates no Outono de 2014 e garantiu a Luísa o reconhecimento do público mais novo. O single ‘João’ instalou-se no coração dos portugueses e o álbum recebeu o galardão de Disco de Ouro.

 

Para o quarto álbum, Luísa convidou o prestigiado produtor norte-americano Joe Henry – vencedor de 3 Grammy Awards, que para além de uma sólida carreira em nome próprio assinou trabalhos de artistas como Elvis Costello, Solomon Burke, Beck ou Madonna – para conduzir o seu novo disco e desafiou alguns dos melhores músicos de jazz da atualidade para gravar, nomes como Marc Ribot, Greg Leisz, Jay Bellerose, Patrick Warren, David Piltch ou Levon Henry. O resultado é ‘Luísa’, disco celebrado pela crítica portuguesa como um dos melhores de 2016. Luísa Sobral chegara a um novo patamar de maturidade criativa: ainda mais segura, exigente, autêntica e espontânea.

 

A faceta de compositora de Luísa vai-se destacando ao longo destes anos, tendo escrito para Ana Moura, António Zambujo, Gisela João, Carolina Deslandes, Marco Rodrigues e Mayra Andrade, entre outros.

 

O início de 2017 levou Luísa Sobral para uma extensa digressão nacional. Lá fora, a artista portuguesa também passou por palcos espanhóis, brasileiros e holandeses. Porém, o ano fica marcado pela vitória no Festival Eurovisão da Canção (Eurovision Song Contest). Luísa Sobral foi convidada pela RTP para compor um tema para o Festival da Canção e assim nasceu ‘Amar Pelos Dois’, que a compositora decidiu entregar, como intérprete, ao seu irmão Salvador Sobral. A parceria fraterna revelou-se um estrondoso sucesso com uma vitória esmagadora no festival nacional, bem como no certame europeu. Foi a primeira vez que Portugal conquistou a vitória no Festival da Eurovisão, bem como também foi a primeira vez que o público europeu escolheu como vencedora uma canção jazzística.

 

‘Amar pelos Dois’ consagrou Luísa Sobral como uma das mais importantes e prestigiadas compositoras da nova geração de artistas portugueses. Recebeu o Prémio de Composição Marcel Bezençon (criador do Festival Eurovisão da Canção), o Prémio Autores SPA e o Globo de Ouro como Melhor Música. Em 2018, juntamente com o seu irmão Salvador, recebeu o Prémio Martha de la Cal entregue pela Associação da Imprensa Estrangeira em Portugal (AIEP) que os distingue como Personalidades do Ano. Na mesma cerimónia, o Presidente da República condecorou os dois artistas com o grau de Comendadores da Ordem do Mérito, pelo ‘êxito singular’ que alcançaram.

 

Após paragem de alguns meses, Luísa regressa a estúdio para gravar o seu quinto álbum de originais. Para a produção convidou o catalão Raül Refree, um dos mais prestigiados produtores e multi-instrumentistas de Espanha, que trabalhou com nomes tão distintos como Sílvia Pérez Cruz, Mala Rodríguez ou Lee Ranaldo dos Sonic Youth.

 

‘Rosa’ é o álbum mais pessoal, maduro e intimista de Luísa Sobral. A beleza das composições é realçada pelo despojamento dos arranjos e pela cumplicidade criativa entre Luísa e Refree. À voz e guitarras juntam-se um trio de sopros composto por fliscorne, tuba e trompa e alguns elementos de percussão clássica como marimba e tímpanos. ‘Rosa’ é feito de histórias, algumas reais, outras menos. É um disco muito crú, composto por onze canções escritas em português, onde as palavras e as melodias são o mais importante.

 

Em 2019, Luísa Sobral regressa aos palcos nacionais e internacionais com uma nova formação e o convite para nos cantar pessoalmente as histórias de ‘Rosa’.

GALERIA

CONTACTOS

Agenciamento
PAULO SOUSA MARTINS
+351 919 417 666
booking@luisasobral.com

Newsletter

* campo obrigatório

Pode retirar o seu consentimento a qualquer momento. Para tal, basta clicar no link 'unsubscribe / sair desta lista', no rodapé de cada newsletter.